Qual o significado para Tabu na psicanálise?

O Tabu é um conceito utilizado na filosofia, antropologia e sociologia e que está relacionado com a proibição, censura, perigo e impureza de determinadas atividades sociais. O significado de tabu geralmente se refere a uma proibição da prática de qualquer atividade social que seja moral, religiosa ou culturalmente reprovável. Dizer que algo é um tabu pode significar que é sagrado e por isso interdito qualquer contato. Ou pode também significar algo perigoso, imundo ou impuro.Cada sociedade possui os seus próprios padrões morais. Tabus existentes em uma cultura podem não existir em outras. Alguns temas polêmicos do tabu podemos destacar alguns, a saber:

  • Incesto
  • Virgindade
  • Aborto
  • Morte
  • Drogas
  • Canibalismo
  • Sexualidade feminina
  • Homossexualidade
  • Bissexualidade
  • Transexualidade
  • Tatuagens e Piercings
  • Modificações Corporais
  • Prostituição
  • Tabus alimentares
  • Tabus linguísticos
  • Zoofilia

 A violação de um tabu transforma o próprio transgressor em tabu. 

Na psicanálise

Em “Totem em tabu” (1914), Sigmund Freud investiga as causas do sentimento de horror ao incesto, consequências a quem infringe o tabu incesto e os tabus mais sérios ainda e antigos presentes nos procedimentos relacionados ao símbolo sagrado e ancestral da coletividade, o totem.

Os tabus existem porque sempre alguém na coletividade  tem o desejo de fazer algo condenável pela maioria.(...) onde existe uma proibição tem que haver um desejo adjacente (...)” (FREUD, 1914, p. 48).  Sem o desejo pelo condenável não precisaria existir proibições, o tabu nasce do desejo de se quebrar regras. O objeto de asco, incesto, é também de desejo, para alguns. O desejo é recalcado no inconsciente em virtude de um tabu e retorna em seu contrário.

Sobre o incesto, Freud construiu um mito. Teria existido uma espécie semelhante a nós, que vivia em comunidade, sob a tutela de um primeiro pai. Este pai era o único que podia possuir as mulheres e gerar filhos nelas. Nenhuma cria deste pai era forte o bastante para desafiá-lo sozinho. no entanto, os filhos perceberam que juntos poderiam vencê-lo e dividir as mulheres da comunidade entre eles. O primeiro pai foi morto pelos próprios filhos, que ingeriram sua carne. As comunidades primitivas acreditavam que ingerir a carne do inimigo fazia com que seus poderes e sua força fossem também absorvidos.

O pai, enquanto vivo, era objeto de raiva e ciúme; mas após sua morte, os sentimentos de amor afloraram, acompanhados de remorso nos filhos. Este teria sido o primeiro assassinato em todo o mundo. Não havia, até então, norma pré-estabelecida que afirmasse sua proibição. A partir deste acontecimento, a morte ao pai tornou-se tabu e com o passar do tempo o totem substituiu este primeiro pai como referência do que se entendeu por tabu. Daí a proibição de casamentos entres indivíduos do mesmo totem, remetendo ao incesto, tendo em vista que os filhos do primeiro pai consideraram que não deveriam tomar para si as mulheres que antes eram de seu pai, pois entenderam que o ato que cometeram fora terrível, portanto, não deveriam obter ganhos com ele.

Assim, o tabu acerca do incesto seria mais antigo que os deuses, remontando a um período anterior à existência de qualquer tipo de norma moral, religiosa ou jurídica, sendo ele uma norma inconsciente. Os sentimentos ambivalentes pelo pai teriam estas mesmas raízes que Freud ilustra com o mito de Édipo. Até nosso tempo, o indivíduo que não consegue encontrar uma saída viável para superar o complexo de Édipo pode desenvolver algum tipo de neurose, psicose ou perversão, originados da disputa inconsciente da criança com a pessoa que desviou a atenção a ser dada pela mãe (ou a pessoa que exerce a função materna).


 

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